A memória, a literatura e o (risco do) esquecimento

uma leitura dos tempos de exceção em “Alguma coisa urgentemente”, de João Gilberto Noll

  • Éderson Luís Silveira UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina
  • Lucas Rodrigues Lopes UFPA - Universidade Federal do Pará
Palavras-chave: Ditadura. Literatura de resistência. Ficção.

Resumo

O presente trabalho visa analisar o conto “Alguma coisa urgentemente”, de João Gilberto Noll, que estabelece vínculo com seu contexto de produção, a Ditadura Militar Brasileira. Publicado na obra O cego e a dançarina em 1980 o texto foi retomado vinte anos mais tarde para integrar uma coletânea organizada por Italo Moriconi. O conto é narrado em primeira pessoa pelo filho anônimo de um perseguido político que, por causa dessa condição, muda de residência algumas vezes durante o enredo, vive instâncias coercitivas ao lado – e na ausência - do pai. Assim, a presente análise permite afirmar que a literatura tem seu lugar em tempos de exceção viabilizando a percepção de vozes silenciadas por condições políticas e sociais. Enquanto figurações de experiências de autoritarismo, os personagens principais apontam para a existência de uma demanda de vozes articuladas para apontar a censura, a interdição e a perseguição política dos tempos ditatoriais brasileiros.

Biografia do Autor

Éderson Luís Silveira, UFSC - Universidade Federal de Santa Catarina

Doutorando e Mestre em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Florianópolis/SC, Brasil.

Lucas Rodrigues Lopes, UFPA - Universidade Federal do Pará

Professor da Universidade Federal do Pará (UFPA). Cametá/PA, Brasil. Doutor em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Mestre em Linguística pelas Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

Publicado
2020-06-30
Seção
Ciências Humanas